ZONA LIVRE


GOOD DICK, DE MARIANNA PALKA
fevereiro 11, 2010, 5:52 am
Filed under: Debates da mostra, Filmes em exibição, Zona Livre | Tags: ,

86min, 2008, cor, 35mm (exibição DVD)
>> inédito no Brasil

11/02, 19h, Sala 01 + Debate online com a diretora
12/02, 18h, Sala 01

“O nome do longa de estréia da diretora e atriz Marianna Polka pode causar um receio inicial, mas Good Dick chama a atenção justamente pela maneira sutil e inusitada com que a história é conduzida, ao mostrar a relação de uma garota depressiva, que aluga filmes pornôs regularmente, com o funcionário da locadora de vídeo. Este é mais um exemplo emblemático do cinema independente norte-americano que não chega freqüentemente às salas de cinema, mas que a internet vem ajudando a semear. Porém, ao contrário de muitos outros filmes dessa cena, temos aqui um trabalho com maturidade acima da média, e com um tratamento mais profundo em relação aos seus personagens” – Davi Pretto e Bruno Carnboni, curadores da Zona Livre

Good Dick foi uma das principais surpresas do Festival de Sundance e do Festival Internacional de Edimburgo de 2008. Escrito, dirigido e estrelado por Marianna Palka, que foi premiada pela direção do longa na mostra na capital escocesa, é este conto de fadas contemporâneo sobre um casal complexo que a Zona Livre – Mostra Internacionalde Cinema tem a satisfação de exibir nas telas do CCBB. A primeira sessão está marcada para esta quarta-feira, 11, às 20h, e será seguida de um debate ao vivo com a diretora, via Skype. A segunda exibição acontece do dia 12, às 18h.


O filme recebeu ótimos elogios da crítica de cinema norte-americana e foi um sucesso em diversos festivais espalhados pelo mundo. “Excepcionalmente engraçado”, “doce”, “sofisticado”, “intrigante”, “genuinamente sexy” e “fascinante” são alguns dos termos empregados em veículos renomados para adjetivar a história incomum da primeira realização de Marianna Palka, escocesa de Glasgow com 28 anos. Como o nome antecipa, Good Dick é um filme de honestidade, que mostra uma peculiar habilidade da diretora em entender o complexo “dar e receber” da interação humana e as motivações por trás dessa relação, às vezes dolorosas.

Palka e seu namorado e sócio na vida real, Jason Ritter, estrelam o casal complicado da trama. Ela é uma garota reservada e problemática, de cabelos sujos e poucas palavras, que vai diariamente a uma vídeo-locadora em busca de filmes eróticos de má qualidade. Ele é um dos atendentes da loja, um cara amigável e falante, que aparentemente mora em um carro e logo começa a alimentar por ela uma estranha obsessão, iniciando uma série de incansáveis investidas para se aproximar. Apesar da resistência inicial por parte da garota, os dois desenvolvem um incomum relacionamento, que altera a rotina claustrofóbica que a cerca. Conforme se tornam próximos, a aversão sexual dela vai de encontro ao otimismo dele, até que as atitudes agressivas da personagem de Palka abalam a ambos e o relacionamento chega ao fim. Profundamente afetada pela presença daquele homem em sua vida, a jovem percebe que tem a coragem necessária para enfrentar os fantasmas de seu passado.

Apesar de lidar com questões profundas, Good Dick é um filme engraçado e otimista. Bem escrito, consegue passar com maturidade e leveza algumas mensagens importantes. A química entre os protagonistas ajuda, transparecendo mesmo nas cenas mais inusitadas. Por exemplo: a primeira resposta positiva da personagem de Palka às tentativas do atendente acontece quando ele pergunta se pode recolher o lixo jogado por todo o apartamento dela. Depois disso ele lava o cabelo da garota e assim, aos poucos, vai se aproximando e conquistando um pouco da afeição daquela pessoa totalmente desacreditada na raça humana. Enquanto ele começa a acompanhá-la na sua rotina reclusa de filmes ruins, é ao mesmo tempo maltratado por ela, que o ofende de todas as formas – dizendo que ele é feio, que trabalha em um lugar deprimente e que tem um pênis pequeno. Não que ela já tenha visto; o mais perto que os dois chegam de sexo é quando ela finge estuprá-lo em cima da mesa da cozinha. E, quando se beijam, ele está estritamente proibido de tocá-la. Apesar de sabermos que nada disso é muito normal, tudo parece natural; nos seus termos, é assim que essas duas criaturas estão se apaixonando.

Já foi possível perceber que os personagens de Good Dick não têm nome. Segundo a autora, esta foi uma maneira que ela e Ritter encontraram para se colocarem no lugar do casal da tela sem, ao mesmo tempo, saber de fato quem eles são. “Eu realmente gosto da ideia de nós chegarmos muito perto deles e nos sentirmos realmente íntimos, e aí perceber: ‘oh, nós nem conhecemos eles de verdade. Eles podiam ser qualquer um’”, explica.

Falando em títulos, de acordo com Palka, Good Dick não precisa ser considerado de forma literal e pode representar coisas diferentes para cada um; para os personagens, acima de tudo, o nome representa persistência. “Eu acho maravilhoso, em 2008, explorar a sexualidade de um jeito que não tem nada a ver com a única versão que nos é oferecida. Há muito mais por aí e é interessante falar e fazer filmes a respeito disso. Quando eu estava escrevendo o roteiro, eu realmente estava me perguntando ‘o que é sexy? O que isso realmente significa para as pessoas?’. Fazendo isso, Good Dick se tornou apenas, naturalmente, o título’”, conta. Para quem ficou interessado nas respostas a que Palka chegou, elas estão aqui, também exemplificadas por nomes de livros, filmes e cenas marcantes.

A origem da diretora mora na comunidade de Maryhill, uma zona operária de Glasgow, onde desde pequena demonstrou interesse pelo teatro (especialmente pelo da Polônia) e pelo cinema. Na adolescência, ela começou a produzir vídeos apenas para ela mesma, que demonstravam o mundo que a cercava. É o caso de By My Very Self, sobre a sua irmã bipolar Nina, e seu pai, que sofre da Doença de Huntington. Outra produção amadora do período foi chamada de For My American Friends, vídeo sobre a vida em Mayhill, onde ela menciona a vontade antiga de ser atriz. E é por conta disso que, em busca do seu destino, aos 17 anos mudou-se para Nova York – sozinha, com pouco dinheiro e sem lugar para ficar, para estudar na Atlantic Theater Company, dedicando-se à carreira de atriz.

Desde então, Palka vem trabalhando em diversos projetos como atriz, que incluem papeis na série de TV Derek and Simon e na produção para o Youtube Drunk History, dirigida por Jeremy Konner. Ela também liderou o elenco do filme Day of the Dead, de Nick Towne; trabalhou em Orchids, de Bryce Dallas Howard; em Carne, dirigido por Brock Enright; e concorreu ao prêmio de Melhor Atriz no Ticket Holders Awards de Los Angeles, por sua performance em The Lonesome West, de Martin McDonagh’s. Atualmente ela mora em L.A., onde recentemente fundou a produtora Morning Knight com o namorado Jason Ritter.

Good Dick foi o primeiro roteiro que Palka escreveu e a sua primeira realização como diretora. O filme, de baixo orçamento, foi lançado e distribuído de forma independente por Palka e por seus co-produtores, Ritter, Jen Dubin e Cora Olso. Seu lançamento mundial se deu na competição dramática de Sundance, em 2008, recebendo ótimas respostas do público e da crítica especializada. Naquele ano, ela foi a diretora mais jovem no festival e a única mulher participando da Dramatic Competition. Além disso, foi convidada a integrar o júri da Fundação Sloan no Festival de Sundance 2010. Na Europa, Good Dick foi lançado oficialmente no Festival de Edimburgo, onde a diretora foi honrada com o Skillset New Director’s Award, dado a ela por Sean Connery.

Passando de tela em tela dos computadores, Good Dick chega agora ao Rio de Janeiro, com toda a sua honestidade, que você pode assistir em tela grande, na sala de cinema do Centro Cultural Banco do Brasil. Confira os primeiros passos da Marianna Palka, uma diretora de talento e iniciativa que, se depender do CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN) e o CCBB, ainda vai dar muito o que falar por aqui.
Andréa Azambuja

* No site oficial de Good Dick está disponível um blog que Marianna Palka escreveu durante as filmagens. Lá você também pode conferir um manifesto que a autora escreveu sobre a história.

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Prêmios (pág.12)

GOOD DICK

Elenco
Marianna Palka (Mulher)
Jason Ritter (Homem)
Eric Edelstein (Eric)
Mark Webber (Derek)
Martin Starr (Simon)
Tom Arnold (Pai)

Equipe Técnica
Escritora/ Diretora: Marianna Palka (Writer/Director)
Produtoras: Cora Olson e Jennifer Dubin
Diretor de Fotografia: Andre Lascaris
Compositor/ Trilha sonora: Jared Nelson Smith
Editor: Chris Kroll

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