ZONA LIVRE


HUKKLE, DE GYÖRGY PÁLFI
fevereiro 20, 2010, 5:34 am
Filed under: Filmes em exibição, Zona Livre | Tags: , ,

Hungria, 78min, 2002, cor, 35mm
(exibição em DVD)

20/02, 18h, Sala 01
21/02, 19h, Sala 02

“Mais um exemplo surpreendente de longas iniciais de jovens diretores com muito talento. Com passagens por um número quase incontável de festivais internacionais, Hukkle, dirigido por György Pálfi, mostra uma planificação precisa e estética apuradíssima, preparando o terreno para que seu estilo surgisse de modo ainda mais intrépido em seu segundo longa (leia sobre Taxidermia). Construindo um aparentemente inofensivo universo de personagens e suas pequenas e singelas histórias, Pálfi avança longa adentro com passos certeiros para uma discreta e pontual desconstrução da possível ingenuidade sugerida pela obra.” – Davi Pretto e Bruno Carboni, curadores da  Zona Livre

Com quase nenhum diálogo, Hukkle tem muito a dizer. Especialmente, o fato de que György Pálfi é um cineasta de muito talento, com uma capacidade muito original para contar histórias. É essa produção da Hungria a bola da vez na Zona Livre – Mostra Internacional de Cinema, realização do CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN) e do Centro Cultural Banco do Brasil. O filme tem sessões marcadas para o dia 20, às 18h, e para o dia 21, às 19h.

Um homem velho soluça. Depois de passar por seu ritual da manhã, ele senta em um banco da rua, observando a vida em volta, ainda soluçando. Enquanto isso, um rapaz bêbado dorme e ronca em uma carroça. Um apicultor extrai mel, uma menina escuta música em seu walkman e um trator lavra os campos de trigo, que uma hora vai virar farinha, e então bolinhos na casa da avó. Há alguns homens na rua, jogando e conversando alegremente. Por trás disso, um policial investiga um homicídio.

É mais ou menos assim que se desenvolve o roteiro de Hukkle, um retrato bucólico da vida em um vilarejo da Hungria. Aparentemente é apenas isso, uma espécie de “documentário” no qual observamos, introspectivos, o tempo passar entre atividades triviais que marcam o ciclo da vida. Mas há algo mais; conforme assistimos à violência da natureza (um sapo que vira comida de um peixe, que acaba na mesa de uma família, um gato que morre, uma abelha que é esmagada por dois dedos…), surge uma morte sem explicação que faz sobressair um clima de mistério nas situações singelas.

Existe algo de premonitório naqueles fatos do dia-a-dia natural; mas, de repente, você vai ter que esperar até o final para entender isso tudo. Uma das coisas que Hukkle mostra é que estar muito perto, às vezes, é tão prejudicial quanto estar longe demais.

György Pálfi tem um olhar peculiar sobre a natureza.  Assim como as badaladas de um relógio marcam o tempo que não passa em um domingo no campo, os soluços do senhor sentado no banco marcam a narrativa de Hukkle (por sinal, é isso que o título significa: soluço). Na trama, tudo se complementa, todos os seres fazem parte de uma mesma cadeia orgânica, onde cada detalhe ganha atenção especial e cuidadosa. As particularidades da vida – vegetal, dos bichos ou humana – merecem a tela inteira e são observadas por uma câmera que passeia interessada, curiosa, mas sem saber exatamente o que está procurando.

Aliás, a fotografia apurada de Hukkle é, sem dúvida, um dos pontos altos do filme. Graças às escolhas de perspectivas e de situações muito ímpares, a câmera transmite um ponto de vista tão particular que se torna quase outro personagem, de participação fundamental no desenrolar da premissa.

Apesar de praticamente não conter palavras, exceto por uma cena de um coro na igreja, os sons de Hukkle foram cuidadosamente pensados e tratados como sendo uma manifestação natural do meio ambiente; é quase uma sinfonia bucólica. Porém, quando o filme chega ao fim, a sensação que se tem é que as imagens de violência e predação natural que Hukkle oferece quase apagaram por completo a aura de benevolência, e as notas dessa sinfonia pastoril parecem evocar, na verdade, um contínuo murmúrio de desesperança.


Primeira experiência de György Pálfi em longas-metragens, Hukkle é um exercício pós-moderno ambíguo, meticuloso e quase documental, que arrecadou mais de 17 prêmios em festivais internacionais de cinema espalhados por todo o mundo. Além disso, abriu as portas do reconhecimento cinematográfico para György Pálfi, que, na sequência, lançou mais dois excelentes longas-metragens, I Am Not Your Friend (2009) e o espetacular Taxidermia (2006) – este último, que você também tem a chance de conferir aqui, na Mostra Zona Livre.

Andréa Azambuja


Prêmios
Elenco

Ferenc Bandi
Józsefné Rácz
József Forkas
Ferenc Nagy
Ferencné Virág
Mihályné Király
Mihály Király
Eszter Ónodi
Attila Kaszás
Szimonetta Koncz
Gábor Nagy
Jánosné Gyõri
Edit Nagy
János F. Kovács
Mihályné F. Kovács

Equipe

 Empresa Produtora: Mokép
Direção: György Pálfi
Diretor de Fotografia: Gergely Pohárnok
Edição de Som: Tamás Zányi
Montador / editor: Gábor Marinkás
Ator principal: Ferenc Bandi, Mrs. Rácz, József Farkas, Ferenc Nagy, Mrs Nagy, Ági Margitai, Eszter Ónodi, Attila Kaszás
Produção: Csaba Bereczki, András Böhm
Roteirista: György Pálfi
Trilha sonora original : Balázs Barna, Samu

Anúncios

1 Comentário so far
Deixe um comentário

[…] HUKKLE, DE GYÖRGY PÁLFI […]

Pingback por TAXIDERMIA, DE GYÖRGY PÁLFI « ZONA LIVRE




Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s



%d blogueiros gostam disto: