ZONA LIVRE


STINGRAY SAM, DE CORY MCABEE

EUA, 2009, 60 min, p&b e cor, 35mm
(exibição em DVD)

>>>> inédito no Rio de Janeiro; exibido no Brasil apenas no CEN 2009

27/02, às 19h, Sala 01 + debate ao vivo com o diretor

“Stingray Sam dispensa muitas apresentações. Criado sob influência direta do costume que criou-se de ver filmes no youtube divididos em trechos de 10 minutos, e em ipods e suas pequenas janelas, relacionado diretamente com a continuidade da existência do 35mm, Cory McAbee consegue dar um grande passo à frente nesse seu segundo longa metragem, perseguindo e aprimorando suas valências e surpreendentes habilidades que demonstrou no seu filme anterior (leia sobre American Astronaut), mas se reinventando de maneira muito sagaz, inclusive sobre o próprio fato de fazer ficção científica, criando um dos filmes mais relevantes dessa mostra, na nossa opinião. Stingray Sam foi lançado em 35mm no importantíssimo festival de Sundance nos EUA, mas tem sua distribuição feita simultaneamente, não só por outros renomados festivais internacionais e salas de cinema, mas também para download no site oficial do filme, sendo disponível inclusive em formato para ipods, contendo junto um interessante material adicional sobre o filme com fotos, trilha sonora, making of e etc. Como foi dito antes, a última obra de McAbee dispensa muitas palavras de apresentação. Todas essas informações não seriam relevantes se ele não conseguisse transcender toda essa originalidade de suas idéias e criar um filme que fale por si mesmo. Para nós, ele conseguiu.” – Davi Pretto e Bruno Carboni, curadores da Zona Livre

Um western espacial envolvendo dois personagens, Stingray Sam e seu cúmplice Quasar Kid, na tentativa de salvar uma garota, seqüestrada pelo líder geneticamente concebido de um planeta muito rico. Esquisito? Não quando vem à tona o nome de Cory McAbee, cineasta que a Zona Livre – Mostra Internacional de Cinema tem mais uma vez o prazer de apresentar na tela grande do CCBB do Rio, dessa vez através de Stingray Sam, longa-metragem de 2009.

Inédito no Rio de Janeiro (exibido no Brasil apenas no CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre – CEN de 2009), o filme tem sessão marcada para às 19h do próximo dia 27 e será sucedido de um debate ao vivo com o diretor.

Cory McAbee conquistou uma legião de fãs com a criativa e improvável premissa que mistura cowboys, lasers e coreografias musicais de The American Astronaut, longa-metragem lançado em 2001. Na estreia, realizada no Festival de Sundance daquele ano, críticos de todas as partes lutaram consigo mesmos para atribuir superlativos ao filme e para descrever exatamente o que tinham acabado de assistir, sem entender de que maneira uma mistura tão inusitada podia ser tão formidável. Os elogios foram inúmeros, ecoando especialmente em um ponto: o estilo inovador e inigualável de McAbee. 

The American Astronaut foi realizado com um baixíssimo orçamento, provando como uma ideia realmente original na cabeça pode ser mais importante do que muitas cédulas de dólares no bolso. Em Stingray Sam, o cineasta mantém o mesmo estilo do filme anterior, importando dele a temática principal, justamente com a intenção de executar exatamente a curiosa definição que foi atribuida ao primeiro: um faroeste de ficção científica musical passado no espaço. 


Assim como em The American Astronaut, o filme se passa no espaço, onde os condenados “cowboys” Stingray Sam e seu cúmplice de longa data, Quasar Kid (Crugie), ganham de volta a liberdade em troca de uma missão: resgatar uma menina mantida em cativeiro por um líder concebido geneticamente de um país muito rico. Embalando as venturas e desventuras da dupla, temos novamente muitos números musicais interpretados pela The Billy Nayer Show, a banda liderada por McAbbe na vida real, que também assume o papel de protagonista. Dessa vez, as imagens em preto e branco são intercaladas por planos em coloridos, que dão vida às tiradas engraçadas, aos diálogos bem escritos e às paródias de McAbee.

A grande diferença entre os dois longas-metragens está no formato: Stingray Sam é dividido em seis episódios de dez minutos, que possuem uma seqüência lógica, mas que podem ser assistidos de maneira independente, na tela do ipod, do celular, do youtube, ou onde mais você quiser. São eles: Factory Fugitives, The Forbidden Chromosome, The Famous Carpenter, Corporate Mascot Rehabilitation Program, Shake Your Shackles e Heart of a Stingray.

A ideia partiu de um trabalho anterior realizado pelo diretor para o Festival de Sundance (no qual é figura carimbada desde 1992), que o convidou para dirigir um filme que seria distribuído via celular. Dessa nova proposta audiovisual, surgiu Reno (2007), no qual foram utilizadas técnicas de colagens e fotografias still, tiradas com uma pequena câmera digital (Nikon Coolpix 3100) e tratadas em Photoshop, aliadas a algumas cenas filmadas com uma Sony HDV 1ZU. O sucesso da produção foi tanto, que Cory McAbee foi convidado a rodar o mundo dando palestras sobre filmes produzidos para as pequenas telas e sobre tecnologia.

Cory McAbee supera suas habilidades a cada produção. Com Stingray Sam ele dá um passo à frente, reinventando possibilidades e propondo a reflexão de como os filmes vêm sendo vistos na contemporaneidade, sendo, assim, uma obra emblemática para a Zona Livre, cujo objetivo é trazer à tona a discussão sobre as vias paralelas da informação. O filme, desenvolvido para todos os tipos e tamanhos de tela, não apenas circulou por renomados festivais de cinema, a exemplo do Festival de Sundance, como foi distribuído em larga escala na internet. Ele está disponível para download, inclusive, no site oficial, acompanhado de um interessante material adicional, com fotos, trilha sonora, making of e cenas dos bastidores.

Incluir performances musicais em seus filmes foi o jeito que McAbee encontrou de declarar seu antigo interesse pela música, cultivado desde a adolescência. O desenho, a pintura e o cinema, assim como o talento musical, foram aprendidos naturalmente por ele, autodidata, cuja educação formal só se estendeu até o fim do ensino médio – segundo ele, “finalizado por um ato de caridade”. Pelo estilo descompromissado e inovador, provavelmente um sintoma da liberdade criativa de quem não se molda a normas formais, o cineasta conquistou a reputação de ser uma das vozes mais originais da cena independente de cinema nos últimos anos.

Concebido para ser visto a qualquer hora do dia e em qualquer circunstância, no ônibus, na cama, numa sala de aula, no cabelereiro… Stingray Sam chega agora à sala de cinema do CCBB do Rio de Janeiro, seguido de um debate ao vivo com o diretor, que estará disponível para esclarecer qualquer mistério do seu universo paralelo. Aperto o cinto e descubra esse exemplo inovador, cativante e único do que o cinema pode nos oferecer atualmente.
Andréa Azambuja  

Saiba mais sobre a vida do diretor aqui.


Prêmios
Elenco

Ron Crawford – Old Scientist
Crugie – Quasar Kid
Maura Ruth Hashman – Heaven
David Hyde Pierce – Narrador (voz)
Jessica Jelliffe – The Clerk
Robert Lurie – Cubby
Cory McAbee – Stingray Sam
Willa Vy McAbee – Girl The Carpenter’s Daughter
Caleb Scott – The Artist
Soren Scott – Ed
Frank Stewart – Barnaby
Joshua Taylor – Fredward
Michael Wiener – Smarmy Scientist

Equipe

Produtora – BNS Productions
Direção – Cory McAbee
Direção de Fotografia – Scott Miller
Edição de Som – Karl Derfler
Montador / editor – Andrew Blackwell
Produção – Becky Glupczynski & Bobby Lurie
Roteiro –  Cory McAbee
Trilha sonora original – The Billy Nayer Show

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1 Comentário so far
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Avaliação final do Quadrado dos Loucos:
http://quadradodosloucos.blogspot.com/2010/03/consideracoes-finais-sobre-zona-livre.html

Comentário por Bruno Cava




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