ZONA LIVRE


GLUE, DE ALEXIS DOS SANTOS
fevereiro 25, 2010, 12:35 am
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Argentina, 2006, 110 min, cor, 35mm
>> inédito no Rio de Janeiro

10/02, 20h, Sala 01
11/02, 18h, Sala 01
25/02, 18h, Sala 01

“Mesmo com o relativo acesso que temos a cinematografia Argentina, alguns filmes e diretores acabam passando rapidamente por nossas terras sem que se dê a devida atenção. Glue, do cineasta Alexis dos Santos, merece um destaque, já que traz um cinema jovem, que embora tenha sido bastante explorado nos anos 90, cria direções novas e se abstém de qualquer julgamento sobre as ações do protagonista, criando uma câmera livre, em que a impressão que temos é que o personagem vai se descobrindo ao mesmo momento que vamos descobrindo ele.” – Davi Pretto e Bruno Carboni, curadores da Zona Livre

Uma banda de rock, uma lata de cola e angústia existencial. Dois garotos, uma garota e um turbilhão de hormônios no calor do verão da Patagônia. Assim é Glue, filme do argentino Alexis do Santos sobre as histórias de Lucas, Nacho e Andrea, que agora você vê aqui, com exclusividade, na Zona Livre – Mostra Internacional de Cinema, realização do CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN) e do Centro Cultural Banco do Brasil. As sessões estão marcadas para essa quarta-feira, dia 10, às 20h, e para o dia o dia seguinte, 11, às18h.

Alexis dos Santos nasceu em Buenos Aires, em 1974, mas foi criado na Patagônia. Lá ele estudou Arquitetura e Interpretação, até se mudar para Londres, onde estagiou como diretor na Escola Nacional de Cinema e Televisão. Mas agora, em seu primeiro longa-metragem, o cineasta retorna às suas origens, mostrando como é ser um adolescente no meio do nada, realidade que ele muito bem conheceu.

Glue estreou em 2 de fevereiro de 2006 no Festival Internacional de Rotterdam e conquistou diversos prêmios em festivais internacionais de cinema. Drama e comédia fazem parte da história de Lucas (Nahuel Pérez Biscayart), um garoto de 15 anos de idade e em plena fase de ebulição hormonal, que passa o tempo da sua rotina tediosa e foge da conturbada vida familiar assistindo a cenas do cotidiano, andando de bicicleta e ouvindo músicas no seu headphone, assinadas no filme pela banda norte-americana Violent Femmes. Ao lado de Nacho (Nahuel Viale), seu melhor amigo, e Andrea (Inés Efron), uma tímida vizinha, ele encontra a cumplicidade de que necessita, e juntos eles vivenciam as experiências do que é ser um adolescente no meio do nada.

Alexis dos Santos se inspirou em suas próprias lembranças para escrever Glue, construído em um roteiro de apenas 17 páginas, algumas páginas compostas apenas de parágrafos soltos e algumas anotações. A maioria das cenas que o compõem foram improvisadas pelos atores, em atuações que admiram pela alta carga de realidade. Para ajudá-los na construção de seus personagens, Alexis pediu a eles que gravassem seus próprios pensamentos sobre os amigos, suas famílias e a respeito da vida e da morte. Segundo ele, todo o processo, desde as conversas com os jovens às filmagens e à edição, foi algo orgânico, quase como em um documentário, quando não se sabe o que vai acontecer a seguir.

Através de narrações em off em alguns trechos, o desenrolar do filme é intercalado entre momentos de solidão dos personagens, onde demonstram a melancolia e as dúvidas que os consomem, e outros de cumplicidade e descoberta da amizade, contraponto que bem exemplifica a fase de transformações por que passam. Esses traços aproximam a obra de Alexis a outras realizações recentes do cinema latino-americano, como “E tua Mãe Também”, de Alfonso Cuarón, e “Temporada de Patos”, de Fernando Eimbcke, pela realidade e pela atmosfera intimista, em retratos juvenis bastante consistentes.

As filmagens de Glue duraram três semanas e meia, baseadas também em improvisações pela equipe técnica. As imagens, gravadas em DVD e Super 8, dão a impressão de que estamos viajando entre estados da consciência, com movimentos e ângulos que capturam os prazeres e os conflitos da adolescência. Como os curadores da Zona Livre comentaram, a impressão que se tem é de que o personagem vai se descobrindo ao mesmo momento que nós vamos descobrindo ele, através de uma câmera fluida, que passeia enquanto adentra a intimidade de cada um.

Glue ganhou na Argentina o subtítulo “Historia Adolescente en Medio de la Nada” e é, sobretudo, um filme de visões singulares, tanto pela carga pessoal presente no roteiro, como pelas atuações dos atores, que  se valeram de suas próprias experiências para compro os personagens. Mas, além disso, é um filme sobre a linguagem universal da adolescência, e as paixões, e os desapontamentos, e a excitação e as mudanças que a constituem, não interessa aonde ela seja vivida.
Andréa Azambuja

Filmografia do diretor
1997 – Meteoritos (17 min.)
1999 – Axoloti (16 min.)
2001 – Sand (20 min.)
2006 – Glue
2009 – Unmade Beds: Com estreia mundial no Sundance Film Festival, conta a história de Axl e Vera, que acabam se encontrando ao vagarem por Londres enquanto tentam superar seu passado. Axl (Fernando Tielve) quer encontrar seu misterioso pai, de quem não tem notícias desde a infância, em um cotidiano de bebedeiras, festas e relacionamentos nada duradouros. Vera tenta esquecer uma desilusão amorosa, vivendo a frieza e o estranhamento de uma cidade grande. Dando forma a tudo isso, uma trilha sonora ligada ao indie rock, com performances ao vivo e cenas em clubs cinzas e barulhentos.

Entrevista com o diretor

GLUE

Prêmios

Elenco
Nahuel Pérez Biscayart – Lucas
Nahuel Viale – Nacho
Inés Efron – Andrea
Verónica Llinás – Mecha
Héctor Díaz – Freddy
Florencia Braier – Flor
Sonia Stenico – La amante
Los Warnos Band – La banda
Jimena Prieto – Jimena
Griselda Ojeda – Doctora
Rodrigo Espinoza – Alumno Ingles
Flavio Alexis Saddi – Flavio
Astor Escobar – Astor
Ángela Odetto – Informativo
Mariana Dos Santos – Madre de Andrea
Adriana Restucci – Fiesta Madre
Belen Bollini – Fiesta Anfitriona

Equipe
Direção, roteiro, produção e edição: Alexis dos Santos
Direção de Fotografia: Natasha Braier
Produção executiva: Isabel Coixet
Produção: Soledad Gatti-Pascual
Edição de Som: Fernando Soldevilla
Montagem / edição: Ida Bregninge, Leonardo Brzezicki
Direção de arte: Nela Fasce
Figurino: Ana Press

Empresas produtoras
Diablo Films
Bureau, The
Meteoritos

Distribuidores
Picture This! Entertainment (2007) (USA)
Picture This! Entertainment (2007) (Canada)
Filmmuseum Distributie (2006) (Netherlands)
International Film Festival Rotterdam (2006)
Salzgeber & Company Medien (2008) (Alemanha)
Filmfreak Distributie (2007) (Netherlands)
Force Entertainment (2008) (Australia)
Parasol Pictures Releasing (2007) (UK)
Tiger Releases (2007) (Netherlands)

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ZONA LIVRE 2010 – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA


No contra fluxo do ritmo de Carnaval que se instaura na cidade, o Rio recebe em fevereiro uma mostra de cinema inédita, composta por um panorama de longas-metragens estrangeiros com pouca entrada no Brasil, mas que por outro lado possuem intensa circulação na web. Essa é uma das sugestões para o circuito off samba deste verão: a Zona Livre – Mostra Internacional de Cinema, que acontece entre os dias nove e 28 no CCBB Rio por iniciativa do CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN).

Confira aqui mesmo no blog o endereço e telefones de contato, a grade de programação e o catálogo completo da mostra para download, impressão ou leitura.

A programação conta com uma maioria de filmes inéditos no Brasil. Ao todo, a mostra traz para o Rio 19 títulos que circularam em festivais mundo afora, mas que terminaram por criar sua reputação e ganhar destaque num circuito paralelo: o da Internet, em fóruns e comunidades de cinema. À relevância de algumas obras, soma-se a saudável transposição desses ‘arquivos’, vindos das redes de cinéfilos na Internet, em ‘filmes’ exibidos em 35mm e DVD, autorizados por seus diretores, na consagrada experiência coletiva da sala de cinema.

Acesse imagens dos filmes em nosso canal no Flickr e assista trailers completos, de todos os filmes da mostra, no canal do festival no You Tube. A seguir, uma síntese da programação:

Intenso fluxo de informações, downloads, copyrights, copylefts e quebras de códigos de zonas de exibição habitam o emaranhado conceitual desta mostra, cujo objetivo é propor uma reflexão sobre a democratização e as vias paralelas da informação. Ao mesmo tempo, a Zona Livre também aborda o inevitável e permanente processo de troca de telas a que a imagem é submetida hoje em dia, neste caso do computador para a sala de cinema do CCBB-RJ.

Dentro desta idéia, alguns diretores com filmes presentes na Zona Livre participarão de debates online com o público do CCBB, via Skype: de diferentes partes do mundo, eles estarão em tempo real na sala de cinema conversando com os espectadores sobre suas obras. Por outro lado, o diretor norte-americano Cory McAbee estará no Rio de Janeiro pessoalmente, “offline”, para um debate com público na semana final da mostra.

A mostra Zona Livre surgiu em Porto Alegre, em outubro passado, dentro da programação internacional da edição 2009 do CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre. Na curadoria convidada pelos organizadores do festival para o projeto, dois jovens que representam a novíssima geração de produtores gaúchos plugados aos novos meios: Davi Pretto e Bruno Carboni, da Tokyo Filmes. A experiência bem-sucedida no sul, durante a sexta edição do CineEsquemaNovo, chega agora a outros centros com uma programação consistente para os cinéfilos de plantão em pleno fevereiro.

Todos os filmes da mostra receberão reportagens especiais aqui no blog. No catálogo, você confere mais informações sobre todos os títulos. Confira aqui a lista dos longas em exibição:

All About Lily Chou Chou, de Shunji Iwai (Japão)
>> inédito no Brasil

American Astronaut, de Cory McAbee (EUA)
>> inédito no Rio de Janeiro; exibido no Brasil apenas no CEN 2009

Black Night, de Olivier Smolders (Bélgica)
>> inédito no Brasil

Daytime Drinking, de Young-Seok Noh (Coréia do Sul)
>> inédito no Brasil

Ex-Drummer, de Koen Mortier (Bélgica)
>> inédito no Rio de Janeiro; exibido no Brasil apenas no CEN 2009

Glue, de Alexis dos Santos (Argentina / Reino Unido)
>> inédito no Rio de Janeiro

Good Dick, de Marianna Palka (EUA)
>> inédito no Brasil

Gozu, de Takashi Miike (Japão)
>> inédito no Rio

Hukkle, de György Pálfi (Hungria)

Hunger, de Steve McQueen (Reino Unido / Irlanda)
>> inédito no Rio e SP

Instrument, de Jem Cohen (EUA)
>> inédito no Rio

Man from Earth, de Richard Schenkman (EUA)

Moonlighting, de Jerzy Skolimowski (Reino Unido)
>> inédito no Rio

Nowhere, de Gregg Araki (EUA)

One night in one City, de Jan Balej (República Tcheca)

Sangre, de Amat Escalante (México)
>> inédito no Rio

Stingray Sam, de Cory McAbee (EUA)
>> inédito no Rio de Janeiro; exibido no Brasil apenas no CEN 2009

Taxidermia, de György Pálfi (Hungria)
>> inédito no Rio

Trash Humpers, de Harmony Korine (EUA)
>> inédito no Brasil