ZONA LIVRE


Black Night, de Olivier Smolders
fevereiro 15, 2010, 2:35 am
Filed under: Filmes em exibição, Zona Livre | Tags: , ,

Bélgica, 90min, 2005, cor, 35mm (exibição em DVD)
>> inédito no Brasil

13/02, 20h, Sala 01
14/02, 18h, Sala 01
17/02, 18h, Sala 01

“É sempre impressionante quando um filme consegue criar um universo totalmente novo, ainda mais quando mistura elementos tão estranhos a ponto de questionar o sonho e a realidade constantemente. Embora o cinema de David Lynch possa parecer uma referência óbvia, Black Night, de Olivier Smolders, apresenta muito mais do que esta simples comparação. Tendo seus sonhos como guia, o diretor cria um mundo surrealista permeado por traumas de infância, eclipses que trazem luz ao invés de noite, zebras nas ruas e casulos gigantes. O resultado, em um filme belga falado em francês, é único.” – Davi Pretto e Bruno Carboni, curadores da Zona Livre

O preto encontra o branco, a neve a escuridão, a Europa a África e o nascimento a morte. Assim é Black Night (Nuite Noire, 2005), fábula de Olivier Smolders, que gira em torno de contrastes que desafiam a imaginação, misturando o sonho e a realidade. Agora o filme chega à tela do cinema e a Bélgica ao Brasil, na Zona Livre – Mostra Internacional de Cinema, que convida você a explorar o universo fantástico de Smolders na sala de cinema do CCBB do Rio de Janeiro, no próximo dia 13, às 20h, e nos dias 14 e 17, às 18.

Desconhecido fora dos círculos de arte da Europa, o diretor belga Olivier Smolders tem realizado curtas-metragens surreais e peculiares desde a década de 80, com a forte injeção de personalidade de quem tem talento tanto para escrever suas histórias quanto para dirigi-las. Devido à estética que emprega, tem sido relacionado a nomes como Terry Gilliam, dos EUA, e alguns diretores europeus, como Peter Greenaway, François Ozon e mesmo Luis Buñuel.

A respeito de suas histórias, Smolders costuma relacionar a realidade à fantasia, desenvolvendo tramas complexas que botam em prova as explicações inteiramente racionais. Para isso, ele investe em imagens de impacto, que não raro envolvem iconografia religiosa e cenas com insetos e répteis, interesses antigos do diretor, formado em Filologia Rômânica (estudo da língua em toda a sua amplitude e dos documentos que a representam).

Não é diferente em Black Night. Como se fosse um sonho, ou a reminiscência de um, no lugar de uma narrativa coerente, o primeiro longa-metragem do diretor avança por aproximação, se desenrolando através fragmentos costurados um ao outro, e que aos poucos vão fazendo sentido. Oscar, um entomologista que trabalha na coleção de insetos raros de um museu, vive em um mundo consumido pela escuridão, que só vê a luz do sol por 15 segundos a cada dia. Perseguido pelas lembranças da irmã, morta quando os dois eram pequenos, ele passa a viver constantemente perturbado, tornando-se a vítima e o vilão da sua própria consciência (quem gosta de Ingmar Bergman irá lembrar-se de Vargtimmen, no qual o protagonista também é atormentado por suas fantasias). Tudo se torna ainda mais estranho quando uma mulher africana falando um dialeto desconhecido aparece do nada em sua cama.

Esta, porém, é apenas uma maneira de ver as coisas. Em seu primeiro longa-metragem, Smolders convida o espectador a juntar as partes de acordo com sua própria interpretação, chacoalhando a sua posição de receptor – espectador. Ao mesmo tempo em que fornece sentidos exageradamente explícitos, ele deixa lacunas a serem preenchidas individualmente, segundo ele, “como se a história estivesse sendo vista através de pequenos pedaços de um espelho quebrado”. O clima de mistério da história é fortalecido pela aura sombria das imagens, 90% filmadas em HD. Para compensar o tom fúnebre dominante do filme, o emprego de cores foi pontualmente planejado, o que rendeu à produção o Bronze Frog Award pela Fotografia no Festival de Cinema de Lodz, na Polônia, em 2006. O resultado disso tudo é um filme de inspiração kafkiana sobre medo e culpa, com uma estética intrigante e inspiração surrealista – movimento que o diretor estudou por mais de dez anos.

Olivier Smolders nasceu em janeiro de 1956 na em Leopoldville, na Bélgica, e atualmente é roteirista e diretor de cinema, além de dar aulas na Universidade de Liège. Ele também trabalha com produção radiofônica e de televisão e é o fundador da produtora Films Du Scarabée.

Além disso, como você pode ver aqui, é autor de ensaios sobre literatura e cinema e já compôs um álbum musical, gravado por Monster Miam Miam, responsável pela assustadora trilha sonora de Black Night.
Andréa Azambuja

* Quem deseja conhecer mais da produção de Smolders no cinema pode encomendar o DVD  Spiritual Exercices, lançado pela Cult Epic, que traz dez curtas-metragens + extras e um livro de 48 páginas sobre sua produção.

Site Oficial
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Filmografia
* Novena, 1984
*The Art of Love (L’art d’aimer , 1985)
* Adoration, 1987)
* Vanishing Point (Point de fuite , 1987)
*Onçy ( Seuls , 1989)
* Philosophy in the Boudoir + Rapture (La philosophie dans le boudoir + Ravissement , 1991)
* Thoughts and visions of a severed head (Pensées et visions d’une tête coupée , 1991)
* The Amateur (L’amateur , 1997)
* Died in Vignola (Mort à Vignole, 1998)
*  Black Night (Nouit Noire, 2005)
* Voyage around my room (Voyage autour de ma chambre , 2008

Black Night

Prêmios

  • Festival Internacional de Cinema Fantástico de Puchon 2005, Coréia do Sul: Prêmio Especial do Júri
  • Fim de Semana do Medo 2006, Nuremberg: Prêmio Golden Glibb 
  • Festival Internacional de Cinema Fantástico de Bruxelas 2005, Bélgica: Menção Especial do Júri
  • Festival Internacional Lodz Camerimage 2006, Polônia: Bronze Frog – Fotografia
  • Selecionado para os festivais de Locarno, Montreal, Sitges, Leeds, Mar Del Plata, Febio e Cingapura, além do Festival de Cinema Europeu Cinessonne (França) e Festival Fantascineza Internazionale (Itália)

Elenco
Fabrice Rodriguez – Oscar
Yves-Marie Gnahoua – La femme africaine
Philippe Corbisier -Oscar enfant (as Philippe Amaury Corbisier)
Iris De Busschere – Le petite fille (as Iris Debusschere)
Raffa Chillah – Le petite fille
Raymond Pradel – Le taxidermiste
Marie Lecomte – Marie Neige
Luc David – Le médecin
Jean-Philippe Altenloh – L’homme-loup
Helena Ibraguimova – La concierge
Pietro Geranio – Le laborantin
Francis Dony – Le policier
Joseph Rensonnet – Le policier
Nancy Sinatra – La jeune fille du bureau
Mweze N’Gangura – Le gardien du musée

Equipe
Direção: Olivier Smolders
Roteiro: Olivier Smolders
Cinematografia: Louis-Philippe Capelle
Edição: Philippe Bougueil
Direção de Arte: Billy Leliveld, Eric Vereyden
Produção: Claude Haïm, Michel De Kempeneer, Olivier Smolders, Kees Kasander
Produção: Parallèles Productions, Les films du Scarabée, Euro HD, Kees Kasander film Company (NL), Tandem films (FR)
Apoio: Centre du cinéma et de l’audiovisuel de la Communauté française de Belgique, des Télédistributeurs wallons, Promimage, Rotterdams Fonds Voor de Film
Distribuição: IFD – Imagine Film Distribution

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ZONA LIVRE 2010 – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA


No contra fluxo do ritmo de Carnaval que se instaura na cidade, o Rio recebe em fevereiro uma mostra de cinema inédita, composta por um panorama de longas-metragens estrangeiros com pouca entrada no Brasil, mas que por outro lado possuem intensa circulação na web. Essa é uma das sugestões para o circuito off samba deste verão: a Zona Livre – Mostra Internacional de Cinema, que acontece entre os dias nove e 28 no CCBB Rio por iniciativa do CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN).

Confira aqui mesmo no blog o endereço e telefones de contato, a grade de programação e o catálogo completo da mostra para download, impressão ou leitura.

A programação conta com uma maioria de filmes inéditos no Brasil. Ao todo, a mostra traz para o Rio 19 títulos que circularam em festivais mundo afora, mas que terminaram por criar sua reputação e ganhar destaque num circuito paralelo: o da Internet, em fóruns e comunidades de cinema. À relevância de algumas obras, soma-se a saudável transposição desses ‘arquivos’, vindos das redes de cinéfilos na Internet, em ‘filmes’ exibidos em 35mm e DVD, autorizados por seus diretores, na consagrada experiência coletiva da sala de cinema.

Acesse imagens dos filmes em nosso canal no Flickr e assista trailers completos, de todos os filmes da mostra, no canal do festival no You Tube. A seguir, uma síntese da programação:

Intenso fluxo de informações, downloads, copyrights, copylefts e quebras de códigos de zonas de exibição habitam o emaranhado conceitual desta mostra, cujo objetivo é propor uma reflexão sobre a democratização e as vias paralelas da informação. Ao mesmo tempo, a Zona Livre também aborda o inevitável e permanente processo de troca de telas a que a imagem é submetida hoje em dia, neste caso do computador para a sala de cinema do CCBB-RJ.

Dentro desta idéia, alguns diretores com filmes presentes na Zona Livre participarão de debates online com o público do CCBB, via Skype: de diferentes partes do mundo, eles estarão em tempo real na sala de cinema conversando com os espectadores sobre suas obras. Por outro lado, o diretor norte-americano Cory McAbee estará no Rio de Janeiro pessoalmente, “offline”, para um debate com público na semana final da mostra.

A mostra Zona Livre surgiu em Porto Alegre, em outubro passado, dentro da programação internacional da edição 2009 do CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre. Na curadoria convidada pelos organizadores do festival para o projeto, dois jovens que representam a novíssima geração de produtores gaúchos plugados aos novos meios: Davi Pretto e Bruno Carboni, da Tokyo Filmes. A experiência bem-sucedida no sul, durante a sexta edição do CineEsquemaNovo, chega agora a outros centros com uma programação consistente para os cinéfilos de plantão em pleno fevereiro.

Todos os filmes da mostra receberão reportagens especiais aqui no blog. No catálogo, você confere mais informações sobre todos os títulos. Confira aqui a lista dos longas em exibição:

All About Lily Chou Chou, de Shunji Iwai (Japão)
>> inédito no Brasil

American Astronaut, de Cory McAbee (EUA)
>> inédito no Rio de Janeiro; exibido no Brasil apenas no CEN 2009

Black Night, de Olivier Smolders (Bélgica)
>> inédito no Brasil

Daytime Drinking, de Young-Seok Noh (Coréia do Sul)
>> inédito no Brasil

Ex-Drummer, de Koen Mortier (Bélgica)
>> inédito no Rio de Janeiro; exibido no Brasil apenas no CEN 2009

Glue, de Alexis dos Santos (Argentina / Reino Unido)
>> inédito no Rio de Janeiro

Good Dick, de Marianna Palka (EUA)
>> inédito no Brasil

Gozu, de Takashi Miike (Japão)
>> inédito no Rio

Hukkle, de György Pálfi (Hungria)

Hunger, de Steve McQueen (Reino Unido / Irlanda)
>> inédito no Rio e SP

Instrument, de Jem Cohen (EUA)
>> inédito no Rio

Man from Earth, de Richard Schenkman (EUA)

Moonlighting, de Jerzy Skolimowski (Reino Unido)
>> inédito no Rio

Nowhere, de Gregg Araki (EUA)

One night in one City, de Jan Balej (República Tcheca)

Sangre, de Amat Escalante (México)
>> inédito no Rio

Stingray Sam, de Cory McAbee (EUA)
>> inédito no Rio de Janeiro; exibido no Brasil apenas no CEN 2009

Taxidermia, de György Pálfi (Hungria)
>> inédito no Rio

Trash Humpers, de Harmony Korine (EUA)
>> inédito no Brasil