ZONA LIVRE


SEGUNDO DEBATE DA ZONA LIVRE: PELO SKYPE, MARIANNA PALKA FALA SOBRE SUA ESTREIA, EM GOOD DICK
fevereiro 18, 2010, 2:06 am
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Apesar de tratar de temas profundos, Good Dick é um filme leve, engraçado e otimista. E assim também é Marianna Palka, diretora de 28 anos, escocesa, alegre e cheia de entusiasmo. Este foi o clima para que ela, direto de Los Angeles, respondesse como a protagonista do segundo debate da Zona Livre – Mostra Internacional de Cinema, realizado dia 11/02, à noite, após a primeira exibição de seu filme no Brasil.

Através do Skype, Palka bateu um papo com o público e os curadores do festival, Davi Pretto e Bruno Carboni, sobre como foi ter escrito e dirigido o seu primeiro longa-metragem.  Como era de se esperar, Good Dick teve uma ótima recepção do público da mostra; o conto de fadas contemporâneo sobre um casal bem incomum arrecada elogios por onde quer que passe.

Primeira realização de Marianna Palka como diretora, Good Dick alia personagens muito bem desenvolvidos e um tema pesado à leveza com que a diretora demonstra em sua personalidade. O resultado é uma obra madura, que comunica mensagens importantes com honestidade (o que se reflete no título) e mostra uma peculiar habilidade de Palka em entender o complexo “dar e receber” da interação humana – e as motivações por trás dessa relação.

Nascida em Glasgow,  Palka contou que a premissa de seu primeiro longa-metragem surgiu quando ela estava na Polônia e viu uma pesquisa sobre o abuso de mulheres.  “Não pude acreditar quando ouvi que uma em cada três mulheres é vítimas de abuso sexual antes da vida adulta. Isso já era razão suficiente para eu fazer um filme”, explicou. À essa triste realidade, ela juntou a vontade de fazer uma obra com pessoas reais, de histórias comuns, e o afeto pelo país do leste europeu.

Palka se diz influenciada pelo cinema e pelo teatro polonês, e dele também “importou” o protagonista de Good Dick, interpretado por seu namorado e sócio na vida real, Jason Ritter. A relação com a Polônia também é explícita no desenrolar do filme graças à referência ao diretor Krzysztof Kieslowski. Outro cineasta polonês pautado no debate foi Roman Polanski, em função de seu clássico Repulsa ao Sexo (1965), filme que também trata de uma jovem paranóica diante do sexo oposto. Ironicamente, Polanski encontra-se exilado na Suíça atualmente, em razão de acusações de ter cometido crimes sexuais há mais de trinta anos.

Para ajudá-la na construção dos personagens de Good Dick, Palka pediu para que toda a equipe fizesse listas sobre como eles achavam que iriam lidar com a vida se tivessem sofrido abusos na infância. As observações de cada um não foram utilizadas no roteiro, mas sim como orientação, para lembrar a todos da equipe os sentimentos com que estavam lidando.

Os textos foram aproveitados especialmente por Ritter e por ela (o casal de protagonistas) a fim de que chegassem exatamente nos personagens que ela tinha imaginado: uma mulher retraída e traumatizada, o “dragão”, como definiu, e um perfeito cavalheiro; como ela apontou, “um tipo que é só amor, só bondade, um masculino que não tem nada a ver com força, aparência ou status, mas é algo genuíno”. Casualmente ou não, o nome da produtora que Palka abriu em sociedade com o namorado chama-se “Morning Knight” (Knight = cavaleiro, ou um homem corajoso que salva alguém, especialmente uma mulher, de uma situação de perigo).

Marianna começou sua carreira no teatro e afirmou que esse foi um dos motivos da realização de Good Dick. Em seu primeiro roteiro, ela quis desenvolver os personagens de forma natural e crua, como nos palcos, sem se preocupar com o resultado. A intenção era experimentar e ver se ia funcionar. Como ela contou, o longa foi rodado com o orçamento de US$ 200.000, valor suficiente quase que apenas para a aparelhagem técnica e para as cópias em 35mm. Por isso, todos os envolvidos trabalharam realmente pela vontade de desenvolver o projeto, para ver “no que ia dar”.

Esse clima de cooperação, que começou lá nos textos de observações de cada um,  se estendeu a todo o processo, desde os envolvidos nos bastidores às pequenas participações no filme. Um exemplo disso é o personagem do homem mais velho da trama. Ele é vivido por Charles Durning, um ator antigo dos EUA, que só trabalhou no filme porque Palka, fã de carteirinha, escreveu o papel especialmente para ele. Outra amostra é Jared Nelson Smith,  multiinstrumentista que compôs e executou todas as canções que compõem a trilha sonora de Good Dick.


Superando em muito as expectativas de Marianna Palka e de toda a equipe, Good Dick foi muito bem recebido pela crítica internacional de cinema e pelo público, e já rendeu à maioria da equipe outros trabalhos. Tendo distribuído de forma independente o seu filme, sucesso também em função dos sites de compartilhamento online, Palka comentou que só vê “prós” na internet para a indústria cinematográfica, simpatizando com a causa da Zona Livre, de produzir a reflexão sobre as vias paralelas de informação.

Na hora de dar tchau, Palka afirmou que acha incrível que seu filme esteja sendo visto no Brasil mesmo sem ter entrado em cartaz nos cinemas e afirmou ter adorado poder falar através do Skype com o público daqui. Ademocratização da informação, a principal intenção da mostra, estava acontecendo na prática.
Andréa Azambuja



GOOD DICK, DE MARIANNA PALKA
fevereiro 11, 2010, 5:52 am
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86min, 2008, cor, 35mm (exibição DVD)
>> inédito no Brasil

11/02, 19h, Sala 01 + Debate online com a diretora
12/02, 18h, Sala 01

“O nome do longa de estréia da diretora e atriz Marianna Polka pode causar um receio inicial, mas Good Dick chama a atenção justamente pela maneira sutil e inusitada com que a história é conduzida, ao mostrar a relação de uma garota depressiva, que aluga filmes pornôs regularmente, com o funcionário da locadora de vídeo. Este é mais um exemplo emblemático do cinema independente norte-americano que não chega freqüentemente às salas de cinema, mas que a internet vem ajudando a semear. Porém, ao contrário de muitos outros filmes dessa cena, temos aqui um trabalho com maturidade acima da média, e com um tratamento mais profundo em relação aos seus personagens” – Davi Pretto e Bruno Carnboni, curadores da Zona Livre

Good Dick foi uma das principais surpresas do Festival de Sundance e do Festival Internacional de Edimburgo de 2008. Escrito, dirigido e estrelado por Marianna Palka, que foi premiada pela direção do longa na mostra na capital escocesa, é este conto de fadas contemporâneo sobre um casal complexo que a Zona Livre – Mostra Internacionalde Cinema tem a satisfação de exibir nas telas do CCBB. A primeira sessão está marcada para esta quarta-feira, 11, às 20h, e será seguida de um debate ao vivo com a diretora, via Skype. A segunda exibição acontece do dia 12, às 18h.


O filme recebeu ótimos elogios da crítica de cinema norte-americana e foi um sucesso em diversos festivais espalhados pelo mundo. “Excepcionalmente engraçado”, “doce”, “sofisticado”, “intrigante”, “genuinamente sexy” e “fascinante” são alguns dos termos empregados em veículos renomados para adjetivar a história incomum da primeira realização de Marianna Palka, escocesa de Glasgow com 28 anos. Como o nome antecipa, Good Dick é um filme de honestidade, que mostra uma peculiar habilidade da diretora em entender o complexo “dar e receber” da interação humana e as motivações por trás dessa relação, às vezes dolorosas.

Palka e seu namorado e sócio na vida real, Jason Ritter, estrelam o casal complicado da trama. Ela é uma garota reservada e problemática, de cabelos sujos e poucas palavras, que vai diariamente a uma vídeo-locadora em busca de filmes eróticos de má qualidade. Ele é um dos atendentes da loja, um cara amigável e falante, que aparentemente mora em um carro e logo começa a alimentar por ela uma estranha obsessão, iniciando uma série de incansáveis investidas para se aproximar. Apesar da resistência inicial por parte da garota, os dois desenvolvem um incomum relacionamento, que altera a rotina claustrofóbica que a cerca. Conforme se tornam próximos, a aversão sexual dela vai de encontro ao otimismo dele, até que as atitudes agressivas da personagem de Palka abalam a ambos e o relacionamento chega ao fim. Profundamente afetada pela presença daquele homem em sua vida, a jovem percebe que tem a coragem necessária para enfrentar os fantasmas de seu passado.

Apesar de lidar com questões profundas, Good Dick é um filme engraçado e otimista. Bem escrito, consegue passar com maturidade e leveza algumas mensagens importantes. A química entre os protagonistas ajuda, transparecendo mesmo nas cenas mais inusitadas. Por exemplo: a primeira resposta positiva da personagem de Palka às tentativas do atendente acontece quando ele pergunta se pode recolher o lixo jogado por todo o apartamento dela. Depois disso ele lava o cabelo da garota e assim, aos poucos, vai se aproximando e conquistando um pouco da afeição daquela pessoa totalmente desacreditada na raça humana. Enquanto ele começa a acompanhá-la na sua rotina reclusa de filmes ruins, é ao mesmo tempo maltratado por ela, que o ofende de todas as formas – dizendo que ele é feio, que trabalha em um lugar deprimente e que tem um pênis pequeno. Não que ela já tenha visto; o mais perto que os dois chegam de sexo é quando ela finge estuprá-lo em cima da mesa da cozinha. E, quando se beijam, ele está estritamente proibido de tocá-la. Apesar de sabermos que nada disso é muito normal, tudo parece natural; nos seus termos, é assim que essas duas criaturas estão se apaixonando.

Já foi possível perceber que os personagens de Good Dick não têm nome. Segundo a autora, esta foi uma maneira que ela e Ritter encontraram para se colocarem no lugar do casal da tela sem, ao mesmo tempo, saber de fato quem eles são. “Eu realmente gosto da ideia de nós chegarmos muito perto deles e nos sentirmos realmente íntimos, e aí perceber: ‘oh, nós nem conhecemos eles de verdade. Eles podiam ser qualquer um’”, explica.

Falando em títulos, de acordo com Palka, Good Dick não precisa ser considerado de forma literal e pode representar coisas diferentes para cada um; para os personagens, acima de tudo, o nome representa persistência. “Eu acho maravilhoso, em 2008, explorar a sexualidade de um jeito que não tem nada a ver com a única versão que nos é oferecida. Há muito mais por aí e é interessante falar e fazer filmes a respeito disso. Quando eu estava escrevendo o roteiro, eu realmente estava me perguntando ‘o que é sexy? O que isso realmente significa para as pessoas?’. Fazendo isso, Good Dick se tornou apenas, naturalmente, o título’”, conta. Para quem ficou interessado nas respostas a que Palka chegou, elas estão aqui, também exemplificadas por nomes de livros, filmes e cenas marcantes.

A origem da diretora mora na comunidade de Maryhill, uma zona operária de Glasgow, onde desde pequena demonstrou interesse pelo teatro (especialmente pelo da Polônia) e pelo cinema. Na adolescência, ela começou a produzir vídeos apenas para ela mesma, que demonstravam o mundo que a cercava. É o caso de By My Very Self, sobre a sua irmã bipolar Nina, e seu pai, que sofre da Doença de Huntington. Outra produção amadora do período foi chamada de For My American Friends, vídeo sobre a vida em Mayhill, onde ela menciona a vontade antiga de ser atriz. E é por conta disso que, em busca do seu destino, aos 17 anos mudou-se para Nova York – sozinha, com pouco dinheiro e sem lugar para ficar, para estudar na Atlantic Theater Company, dedicando-se à carreira de atriz.

Desde então, Palka vem trabalhando em diversos projetos como atriz, que incluem papeis na série de TV Derek and Simon e na produção para o Youtube Drunk History, dirigida por Jeremy Konner. Ela também liderou o elenco do filme Day of the Dead, de Nick Towne; trabalhou em Orchids, de Bryce Dallas Howard; em Carne, dirigido por Brock Enright; e concorreu ao prêmio de Melhor Atriz no Ticket Holders Awards de Los Angeles, por sua performance em The Lonesome West, de Martin McDonagh’s. Atualmente ela mora em L.A., onde recentemente fundou a produtora Morning Knight com o namorado Jason Ritter.

Good Dick foi o primeiro roteiro que Palka escreveu e a sua primeira realização como diretora. O filme, de baixo orçamento, foi lançado e distribuído de forma independente por Palka e por seus co-produtores, Ritter, Jen Dubin e Cora Olso. Seu lançamento mundial se deu na competição dramática de Sundance, em 2008, recebendo ótimas respostas do público e da crítica especializada. Naquele ano, ela foi a diretora mais jovem no festival e a única mulher participando da Dramatic Competition. Além disso, foi convidada a integrar o júri da Fundação Sloan no Festival de Sundance 2010. Na Europa, Good Dick foi lançado oficialmente no Festival de Edimburgo, onde a diretora foi honrada com o Skillset New Director’s Award, dado a ela por Sean Connery.

Passando de tela em tela dos computadores, Good Dick chega agora ao Rio de Janeiro, com toda a sua honestidade, que você pode assistir em tela grande, na sala de cinema do Centro Cultural Banco do Brasil. Confira os primeiros passos da Marianna Palka, uma diretora de talento e iniciativa que, se depender do CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN) e o CCBB, ainda vai dar muito o que falar por aqui.
Andréa Azambuja

* No site oficial de Good Dick está disponível um blog que Marianna Palka escreveu durante as filmagens. Lá você também pode conferir um manifesto que a autora escreveu sobre a história.

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Prêmios (pág.12)

GOOD DICK

Elenco
Marianna Palka (Mulher)
Jason Ritter (Homem)
Eric Edelstein (Eric)
Mark Webber (Derek)
Martin Starr (Simon)
Tom Arnold (Pai)

Equipe Técnica
Escritora/ Diretora: Marianna Palka (Writer/Director)
Produtoras: Cora Olson e Jennifer Dubin
Diretor de Fotografia: Andre Lascaris
Compositor/ Trilha sonora: Jared Nelson Smith
Editor: Chris Kroll



ZONA LIVRE 2010 – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA


No contra fluxo do ritmo de Carnaval que se instaura na cidade, o Rio recebe em fevereiro uma mostra de cinema inédita, composta por um panorama de longas-metragens estrangeiros com pouca entrada no Brasil, mas que por outro lado possuem intensa circulação na web. Essa é uma das sugestões para o circuito off samba deste verão: a Zona Livre – Mostra Internacional de Cinema, que acontece entre os dias nove e 28 no CCBB Rio por iniciativa do CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN).

Confira aqui mesmo no blog o endereço e telefones de contato, a grade de programação e o catálogo completo da mostra para download, impressão ou leitura.

A programação conta com uma maioria de filmes inéditos no Brasil. Ao todo, a mostra traz para o Rio 19 títulos que circularam em festivais mundo afora, mas que terminaram por criar sua reputação e ganhar destaque num circuito paralelo: o da Internet, em fóruns e comunidades de cinema. À relevância de algumas obras, soma-se a saudável transposição desses ‘arquivos’, vindos das redes de cinéfilos na Internet, em ‘filmes’ exibidos em 35mm e DVD, autorizados por seus diretores, na consagrada experiência coletiva da sala de cinema.

Acesse imagens dos filmes em nosso canal no Flickr e assista trailers completos, de todos os filmes da mostra, no canal do festival no You Tube. A seguir, uma síntese da programação:

Intenso fluxo de informações, downloads, copyrights, copylefts e quebras de códigos de zonas de exibição habitam o emaranhado conceitual desta mostra, cujo objetivo é propor uma reflexão sobre a democratização e as vias paralelas da informação. Ao mesmo tempo, a Zona Livre também aborda o inevitável e permanente processo de troca de telas a que a imagem é submetida hoje em dia, neste caso do computador para a sala de cinema do CCBB-RJ.

Dentro desta idéia, alguns diretores com filmes presentes na Zona Livre participarão de debates online com o público do CCBB, via Skype: de diferentes partes do mundo, eles estarão em tempo real na sala de cinema conversando com os espectadores sobre suas obras. Por outro lado, o diretor norte-americano Cory McAbee estará no Rio de Janeiro pessoalmente, “offline”, para um debate com público na semana final da mostra.

A mostra Zona Livre surgiu em Porto Alegre, em outubro passado, dentro da programação internacional da edição 2009 do CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre. Na curadoria convidada pelos organizadores do festival para o projeto, dois jovens que representam a novíssima geração de produtores gaúchos plugados aos novos meios: Davi Pretto e Bruno Carboni, da Tokyo Filmes. A experiência bem-sucedida no sul, durante a sexta edição do CineEsquemaNovo, chega agora a outros centros com uma programação consistente para os cinéfilos de plantão em pleno fevereiro.

Todos os filmes da mostra receberão reportagens especiais aqui no blog. No catálogo, você confere mais informações sobre todos os títulos. Confira aqui a lista dos longas em exibição:

All About Lily Chou Chou, de Shunji Iwai (Japão)
>> inédito no Brasil

American Astronaut, de Cory McAbee (EUA)
>> inédito no Rio de Janeiro; exibido no Brasil apenas no CEN 2009

Black Night, de Olivier Smolders (Bélgica)
>> inédito no Brasil

Daytime Drinking, de Young-Seok Noh (Coréia do Sul)
>> inédito no Brasil

Ex-Drummer, de Koen Mortier (Bélgica)
>> inédito no Rio de Janeiro; exibido no Brasil apenas no CEN 2009

Glue, de Alexis dos Santos (Argentina / Reino Unido)
>> inédito no Rio de Janeiro

Good Dick, de Marianna Palka (EUA)
>> inédito no Brasil

Gozu, de Takashi Miike (Japão)
>> inédito no Rio

Hukkle, de György Pálfi (Hungria)

Hunger, de Steve McQueen (Reino Unido / Irlanda)
>> inédito no Rio e SP

Instrument, de Jem Cohen (EUA)
>> inédito no Rio

Man from Earth, de Richard Schenkman (EUA)

Moonlighting, de Jerzy Skolimowski (Reino Unido)
>> inédito no Rio

Nowhere, de Gregg Araki (EUA)

One night in one City, de Jan Balej (República Tcheca)

Sangre, de Amat Escalante (México)
>> inédito no Rio

Stingray Sam, de Cory McAbee (EUA)
>> inédito no Rio de Janeiro; exibido no Brasil apenas no CEN 2009

Taxidermia, de György Pálfi (Hungria)
>> inédito no Rio

Trash Humpers, de Harmony Korine (EUA)
>> inédito no Brasil