ZONA LIVRE


SANGRE, DE AMAT ESCALANTE
fevereiro 18, 2010, 6:56 pm
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90min, 2005, cor, 35mm (exibição em DVD)
>> inédito no Rio

10/02, 18h, Sala 01
18/02, 17h, Sala 01
19/02, 19h, Sala 02

“O cinema do México tem atingido um sinônimo de cult atualmente, em grande parte, graças ao diretor Carlos Reygadas: ele vem criando seu renome pelos festivais internacionais com uma visão autoral e poética de seu país de origem. Porém, um outro nome corre em paralelo nesta cena e responde pelo sonoro nome de Amat Escalante. Assistente de direção em Batalla en el Cielo, de Reygadas, o mexicano vem dirigindo longas que apresentam forte personalidade, com bastante repercussão em festivais e, por conseqüência, também na rede. Em Sangre, o diretor traz um México com muitos silêncios, de enquadramentos rígidos, com uma visão altamente personalizada do povo mexicano e sua rotina” – Davi Pretto e Bruno Carboni, curadores da Zona Livre

Um filme experimental, mas acessível para quem busca o cinema tal como ele é, “sem tanta parafernália hollywoodiana”. Assim o cineasta Amat Escalante definiu Sangre, seu primeiro longa-metragem, lançado em 2005 e que agora o CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN) e o Centro Cultural Banco do Brasil trazem com exclusividade ao Rio de Janeiro, na Zona Livre – Mostra Internacional de Cinema. A exibição acontece no próximo dia 10, às 18h, seguida de Glue, de Alexis dos Santos, outro achado do festival. Outras duas sessões estão marcadas para o dia 18h, às 17h, e para o dia 19h, às 19h.

Escalante faz parte de um grupo de cineastas que vem produzindo o que está se chamando de um “novo cinema mexicano”: filmes capazes de devolver ao México um certo “orgulho perdido” (que ficou pra trás mergulhado entre os conceitos hollywoodianos), mais populares, autorais e contemplativos. Com takes longos e menos ação, os diretores exploram situações comuns, diárias, mas nem por isso menos importantes; pelo contrário, ao que parece, o “novo cinema mexicano” vem reencontrando uma particular e valiosa profundidade na vida real, a exemplo do que o cinema argentino e mesmo uruguaio vêm logrando recentemente.

Sangre se encaixa bem nessa definição. Não há heróis e não existem grandes mistérios, apenas a vida real e bastante tediosa de Diego (Cirilo Recio) e Blanca (Laura Saldaña Quintero), um casal de classe média mexicana. Ele trabalha como guarda em um prédio do governo e ela em uma pizzaria. Depois do trabalho, os dois deitam-se no sofá, assistem a novelas ou fazem amor. E é nisso que se baseia o seu relacionamento, até que um dia essa rotina é interrompida: Karina, filha de Diego de um casamento anterior, chega à procura do amor do pai, mas Blanca recusa-se a aceitá-la. Através da bonita fotografia e de um recorte de cenas bastante pessoal, a trama se desenrola, tomando novo fôlego conforme Diego vai perdendo o controle da situação.

Para fortalecer o tom de realidade de seu primeiro longa-metragem, Escalante preferiu apostar em atores amadores. Cirilo Recio, inclusive, foi descoberto pelo diretor na rua de sua casa: os dois são vizinhos em Guanajuato, no México, cidade que serviu de locação para a história. Além de Cirilo, menos de 15 pessoas fizeram parte das filmagens de Sangre, rodado durante quatro semanas. O tom intimista proporcionado pela equipe pequena e pela premissa singela com certeza foi fortalecido ainda mais pela presença de Carlos Reygadas – que assina a produção e é colaborador do diretor de outros carnavais.


Produtor, diretor, escritor e editor, Reygadas é o principal nome desse estilo de cinema que o México vem apresentando nos últimos anos. Sua parceria com Escalante começou em 2003, quando os cineastas começaram a trocar informações, partindo de um e-mail enviado pelo último sobre o filme Japón, dirigido por Reygadas em 2003. Dois anos depois, a parceria profissional estava oficializada, nos créditos de Batalla En El Cielo, dirigido por Reygadas com a assistência de Escalante – dobradinha repetida em Sangre. Em função do estilo similar, Amat Escalante tem sido comparado ao amigo, fato que não nega, mas justifica afirmando que ambos utilizam formas velhas, citando Michael Haneke como uma grande influência.

Sangre foi filmado em 16mm e orçamento aproximado de US$ 270.000. O lançamento oficial se deu em 11 de maio de 2005, na mostra “Um Certo Olhar” (Un Certain Regard), dentro do Festival de Cannes, no qual foi premiado com o FIPRESCI Award, seção paralela mais importante dentro do festival. Nada mal para o “melodrama sem drama”, como define o diretor, que nunca estudou cinema formalmente. Confirmando a vocação reconhecida pelo festival francês, Los Bastardos, seu segundo longa metragem, recebeu mais de seis prêmios em festivais internacionais, aumentando ainda mais a expectativa para seu próximo trabalho, que, se tudo correr bem, em um ano ou dois a Zona Livre traz por aqui.
Andréa Azambuja

Sobre o diretor

Amat Escalante nasceu em 1979, em Barcelona, mas passou a maior parte da vida em Guanajuato, no México. Hoje ele vive em Los Angeles, após ter estudado som e edição na Espanha e ter freqüentado a Escola Internacional de Cinema e Televisão de Cuba. Sua primeira produção cinematográfica foi o curta-metragem Amarrados (2002), história de uma criança viciada em cola que sofre com uma vida disfuncional, pela qual foi premiado no Festival de Cinema de Berlim.
Após Sangre, lançou Los Bastardos (2008), um dia na vida de Fausto e Jesús, dois trabalhadores mexicanos que vivem ilegalmente nos EUA sempre à procura de trabalho, até que um dia recebem uma proposta diferente: em troca de uma grande quantidade de dinheiro, um homem perturbado pede que assassinem sua ex-esposa. A história da dupla dividida entre a necessidade de sobrevivência e as questões morais foi exibida no Festival de Cannes de 2008 e arrecadou diversos prêmios em festivais internacionais, provando que Escalante não era um cineasta de um filme só. Atualmente, o diretor está trabalhando um curta-metragem que fará parte de Revolución, uma coletânea de dez filmes de diretores diferentes (um deles o ator Gael García Bernal), sobre o que é a revolução nos dias de hoje e o que ela significa para os jovens mexicanos.

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Filmografia do diretor
2002 – Amarrados (15 min.)
2005 – Sangre
2008 – Los Bastardos (90 min.)
SANGRE

Prêmios

Elenco
Cirilo Recio Dávila – Diego
Claudia Orozco – Karina
Laura Saldaña Quintero – Blanca
Martha Preciado – Martita

Equipe
Direção, roteiro e produção: Amat Escalante
Produção: Jaime Romandia, Carlos Reygadas, Judith Nora
Produção executiva: Eugene Carpenter Jr.
Fotografia: Alex Fenton
Som: Raúl Locatelli
Direção de arte: Daniela Schneider
Assistência de direção: Pedro Aguilera

Empresas Produtoras
Mantarraya Producciones
Tres Tunas
No Dream Cinema
Hubert Bals Fund
Estudios Churubusco Azteca S.A.
Ad Vitam Distribution
Foprocine

Distribuidores
Bac Films
Ad Vitam Distribution
Artecinema
Filmfreak Distributie
Atalanta Filmes
Filmfreak Distributie
Gussi Artecinema
Medial

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ZONA LIVRE 2010 – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA


No contra fluxo do ritmo de Carnaval que se instaura na cidade, o Rio recebe em fevereiro uma mostra de cinema inédita, composta por um panorama de longas-metragens estrangeiros com pouca entrada no Brasil, mas que por outro lado possuem intensa circulação na web. Essa é uma das sugestões para o circuito off samba deste verão: a Zona Livre – Mostra Internacional de Cinema, que acontece entre os dias nove e 28 no CCBB Rio por iniciativa do CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN).

Confira aqui mesmo no blog o endereço e telefones de contato, a grade de programação e o catálogo completo da mostra para download, impressão ou leitura.

A programação conta com uma maioria de filmes inéditos no Brasil. Ao todo, a mostra traz para o Rio 19 títulos que circularam em festivais mundo afora, mas que terminaram por criar sua reputação e ganhar destaque num circuito paralelo: o da Internet, em fóruns e comunidades de cinema. À relevância de algumas obras, soma-se a saudável transposição desses ‘arquivos’, vindos das redes de cinéfilos na Internet, em ‘filmes’ exibidos em 35mm e DVD, autorizados por seus diretores, na consagrada experiência coletiva da sala de cinema.

Acesse imagens dos filmes em nosso canal no Flickr e assista trailers completos, de todos os filmes da mostra, no canal do festival no You Tube. A seguir, uma síntese da programação:

Intenso fluxo de informações, downloads, copyrights, copylefts e quebras de códigos de zonas de exibição habitam o emaranhado conceitual desta mostra, cujo objetivo é propor uma reflexão sobre a democratização e as vias paralelas da informação. Ao mesmo tempo, a Zona Livre também aborda o inevitável e permanente processo de troca de telas a que a imagem é submetida hoje em dia, neste caso do computador para a sala de cinema do CCBB-RJ.

Dentro desta idéia, alguns diretores com filmes presentes na Zona Livre participarão de debates online com o público do CCBB, via Skype: de diferentes partes do mundo, eles estarão em tempo real na sala de cinema conversando com os espectadores sobre suas obras. Por outro lado, o diretor norte-americano Cory McAbee estará no Rio de Janeiro pessoalmente, “offline”, para um debate com público na semana final da mostra.

A mostra Zona Livre surgiu em Porto Alegre, em outubro passado, dentro da programação internacional da edição 2009 do CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre. Na curadoria convidada pelos organizadores do festival para o projeto, dois jovens que representam a novíssima geração de produtores gaúchos plugados aos novos meios: Davi Pretto e Bruno Carboni, da Tokyo Filmes. A experiência bem-sucedida no sul, durante a sexta edição do CineEsquemaNovo, chega agora a outros centros com uma programação consistente para os cinéfilos de plantão em pleno fevereiro.

Todos os filmes da mostra receberão reportagens especiais aqui no blog. No catálogo, você confere mais informações sobre todos os títulos. Confira aqui a lista dos longas em exibição:

All About Lily Chou Chou, de Shunji Iwai (Japão)
>> inédito no Brasil

American Astronaut, de Cory McAbee (EUA)
>> inédito no Rio de Janeiro; exibido no Brasil apenas no CEN 2009

Black Night, de Olivier Smolders (Bélgica)
>> inédito no Brasil

Daytime Drinking, de Young-Seok Noh (Coréia do Sul)
>> inédito no Brasil

Ex-Drummer, de Koen Mortier (Bélgica)
>> inédito no Rio de Janeiro; exibido no Brasil apenas no CEN 2009

Glue, de Alexis dos Santos (Argentina / Reino Unido)
>> inédito no Rio de Janeiro

Good Dick, de Marianna Palka (EUA)
>> inédito no Brasil

Gozu, de Takashi Miike (Japão)
>> inédito no Rio

Hukkle, de György Pálfi (Hungria)

Hunger, de Steve McQueen (Reino Unido / Irlanda)
>> inédito no Rio e SP

Instrument, de Jem Cohen (EUA)
>> inédito no Rio

Man from Earth, de Richard Schenkman (EUA)

Moonlighting, de Jerzy Skolimowski (Reino Unido)
>> inédito no Rio

Nowhere, de Gregg Araki (EUA)

One night in one City, de Jan Balej (República Tcheca)

Sangre, de Amat Escalante (México)
>> inédito no Rio

Stingray Sam, de Cory McAbee (EUA)
>> inédito no Rio de Janeiro; exibido no Brasil apenas no CEN 2009

Taxidermia, de György Pálfi (Hungria)
>> inédito no Rio

Trash Humpers, de Harmony Korine (EUA)
>> inédito no Brasil