ZONA LIVRE


ZONA LIVRE 2010 – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA


No contra fluxo do ritmo de Carnaval que se instaura na cidade, o Rio recebe em fevereiro uma mostra de cinema inédita, composta por um panorama de longas-metragens estrangeiros com pouca entrada no Brasil, mas que por outro lado possuem intensa circulação na web. Essa é uma das sugestões para o circuito off samba deste verão: a Zona Livre – Mostra Internacional de Cinema, que acontece entre os dias nove e 28 no CCBB Rio por iniciativa do CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN).

Confira aqui mesmo no blog o endereço e telefones de contato, a grade de programação e o catálogo completo da mostra para download, impressão ou leitura.

A programação conta com uma maioria de filmes inéditos no Brasil. Ao todo, a mostra traz para o Rio 19 títulos que circularam em festivais mundo afora, mas que terminaram por criar sua reputação e ganhar destaque num circuito paralelo: o da Internet, em fóruns e comunidades de cinema. À relevância de algumas obras, soma-se a saudável transposição desses ‘arquivos’, vindos das redes de cinéfilos na Internet, em ‘filmes’ exibidos em 35mm e DVD, autorizados por seus diretores, na consagrada experiência coletiva da sala de cinema.

Acesse imagens dos filmes em nosso canal no Flickr e assista trailers completos, de todos os filmes da mostra, no canal do festival no You Tube. A seguir, uma síntese da programação:

Intenso fluxo de informações, downloads, copyrights, copylefts e quebras de códigos de zonas de exibição habitam o emaranhado conceitual desta mostra, cujo objetivo é propor uma reflexão sobre a democratização e as vias paralelas da informação. Ao mesmo tempo, a Zona Livre também aborda o inevitável e permanente processo de troca de telas a que a imagem é submetida hoje em dia, neste caso do computador para a sala de cinema do CCBB-RJ.

Dentro desta idéia, alguns diretores com filmes presentes na Zona Livre participarão de debates online com o público do CCBB, via Skype: de diferentes partes do mundo, eles estarão em tempo real na sala de cinema conversando com os espectadores sobre suas obras. Por outro lado, o diretor norte-americano Cory McAbee estará no Rio de Janeiro pessoalmente, “offline”, para um debate com público na semana final da mostra.

A mostra Zona Livre surgiu em Porto Alegre, em outubro passado, dentro da programação internacional da edição 2009 do CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre. Na curadoria convidada pelos organizadores do festival para o projeto, dois jovens que representam a novíssima geração de produtores gaúchos plugados aos novos meios: Davi Pretto e Bruno Carboni, da Tokyo Filmes. A experiência bem-sucedida no sul, durante a sexta edição do CineEsquemaNovo, chega agora a outros centros com uma programação consistente para os cinéfilos de plantão em pleno fevereiro.

Todos os filmes da mostra receberão reportagens especiais aqui no blog. No catálogo, você confere mais informações sobre todos os títulos. Confira aqui a lista dos longas em exibição:

All About Lily Chou Chou, de Shunji Iwai (Japão)
>> inédito no Brasil

American Astronaut, de Cory McAbee (EUA)
>> inédito no Rio de Janeiro; exibido no Brasil apenas no CEN 2009

Black Night, de Olivier Smolders (Bélgica)
>> inédito no Brasil

Daytime Drinking, de Young-Seok Noh (Coréia do Sul)
>> inédito no Brasil

Ex-Drummer, de Koen Mortier (Bélgica)
>> inédito no Rio de Janeiro; exibido no Brasil apenas no CEN 2009

Glue, de Alexis dos Santos (Argentina / Reino Unido)
>> inédito no Rio de Janeiro

Good Dick, de Marianna Palka (EUA)
>> inédito no Brasil

Gozu, de Takashi Miike (Japão)
>> inédito no Rio

Hukkle, de György Pálfi (Hungria)

Hunger, de Steve McQueen (Reino Unido / Irlanda)
>> inédito no Rio e SP

Instrument, de Jem Cohen (EUA)
>> inédito no Rio

Man from Earth, de Richard Schenkman (EUA)

Moonlighting, de Jerzy Skolimowski (Reino Unido)
>> inédito no Rio

Nowhere, de Gregg Araki (EUA)

One night in one City, de Jan Balej (República Tcheca)

Sangre, de Amat Escalante (México)
>> inédito no Rio

Stingray Sam, de Cory McAbee (EUA)
>> inédito no Rio de Janeiro; exibido no Brasil apenas no CEN 2009

Taxidermia, de György Pálfi (Hungria)
>> inédito no Rio

Trash Humpers, de Harmony Korine (EUA)
>> inédito no Brasil




HARMONY KORINE NOS DEBATES DA ZONA LIVRE: TERÇA, DIA 09

Debates online e offline, com alguns diretores selecionados, acontecem durante as três semanas da Zona Livre no CCBB do Rio de Janeiro.

Logo na abertura, dia 09, Harmony Korine, conversando com o público via Skype dentro da sala de cinema sobre Trash Humpers, inédito no Brasil e exibido no mesmo dia.

Marianna Palka, Richard Schenkman, Cory McAbee e o debate geral da mostra também estão na programação:



MAN FROM EARTH, DE RICHARD SCHENKMAN
fevereiro 4, 2010, 6:40 pm
Filed under: Debates da mostra, Filmes em exibição, Zona Livre | Tags: , ,

EUA, 90min, 2007, cor, vídeo

18/02, 19h, Sala 01 + Debate online com o diretor
19/02, 17h, Sala 01

“Ao lado de Stingray Sam, o filme norte-americano de Richard Schenkman  já tinha cadeira cativa nesta lista. Talvez esta seja a obra que melhor represente todos os benefícios que a internet pode proporcionar a um filme que pretende, essencialmente, ser visto em muitos lugares (ou, no caso, por pessoas de muitos lugares). Se por um lado a carreira do filme surpreende, por outro percebe-se que toda a fama que ganhou não foi à toa. O diretor consegue criar um filme simples e de baixíssimo orçamento, mas sobretudo cativante, criativo e instigante do início ao fim – algo que muitos filmes milionários tentam sem o menor êxito” – Davi Pretto e Bruno Carboni, curadores da Zona Livre

Uma grande ficção científica não precisa ser feita de muitos efeitos especiais e histórias futurísticas. Prova disso é The Man From Earth, filme dirigido por Richard Schenkman que o CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN) e o Centro Cultural Banco do Brasil apresentam no Rio dentro da Zona Livre – Mostra Internacional de Cinema. A primeira exibição está marcada para o dia 18, às 19h, e será seguida de debate online com o diretor via Skype. Quem perder, tem a chance de conferir a obra no dia seguinte, dia 19, às 17h.

The Man From Earth foi o último trabalho do escritor Jerome Bixby, reconhecido, principalmente, pelos roteiros que escreveu para as séries Star Trek e Twilight Zone. Bixby começou a escrever seu último projeto na década de 60, mas só o completou no leito de morte, em abril de 1998, ditando as últimas linhas para o filho, o também roteirista Emerson Bixby. Com o texto pronto, Emerson foi procurar a pessoa certa para dirigi-lo, mas a maioria dos cineastas com quem falou queria expandir a história, íntima e minimalista, para superproduções com efeitos especiais e com todo o suporte tecnológico disponível na época.

Por acaso, o filho de Bixby topou com Richard Schenkman, que, por razões artísticas e financeiras, queria filmar o script exatamente como lhe havia sido concebido. Em função do baixo orçamento (US$ 200.000) os atores escalados trabalharam por quase nada – muitos deles, certamente, em função das reputações do diretor e do roteirista. Além disso, alguns dos atores, como Tony Todd e John Billingsley, já haviam encarnado na televisão algumas histórias da franquia Star Trek.


Jerome Bixby escreveu diversos episódios para o mundo Trek. Entre eles está Réquiem for Methuselah (não tão famoso quanto Mirror Mirror, que ajudou a estabelecer o conceito de um universo paralelo, ou o “Mirror Universe”, como é conhecido pelos Trekkies), exibido na 3ª temporada, quando a Enterprise encontra um homem imortal que tem vivido as vidas de figuras históricas famosas, como Alexandre O Grande e Leonardo da Vinci. The Man From Earth segue o mesmo fascinante tema da imortalidade, em uma história muito pessoal que envolve intensas discussões filosóficas e leva a audiência a direções inesperadas.

John Oldman (David Lee) é um professor universitário que inesperadamente pede demissão e decide mudar de cidade. Organizada por colegas que aparecem na sua casa, sua despedida torna-se um misterioso interrogatório – após ele, sucumbindo às exigências de explicações, revelar que é imortal e que vive há mais de 14.000 anos. O que começa como uma reunião amigável logo se conduz a um inesperado e chocante clímax, já que todos tentam achar buracos na história de Oldman, mas percebem que tão difícil quanto acreditar em sua narrativa é achar provas de ela não passaria de uma invenção.

The Man From Earth gira em torno dos diálogos. Todas as cenas se passam na sala do professor Oldman, cenário que oferece o clima perfeito para as íntimas e fervorosas discussões filosóficas que dominam a história. Basicamente, os personagens (antropólogos, filósofos, biólogos, psiquiatras, intelectuais) sentam em uma sala e falam sobre a vida, sobre a morte, sobre religião. Não é, portanto, uma ficção científica na execução. Mas o é em toda a excelência e premissa, que hipnotiza e prende a atenção até o último de seus 87 minutos. Todos os elementos sci-fi estão lá – só que na imaginação de cada um, em vez de na tela.

E se um homem da Idade da Pedra vivesse por milhares de anos e sobrevivesse até hoje? Como ele seria? Qual seria a sua razão para a existência? Qual é a natureza da verdade? Quem é Deus? É por essa linha que se desenrola The Man From Earth, considerado a obra definitiva de Jerome Bixby. Liderada com mão segura pelo talentoso Richard Schenkman (e pelo elenco escalado brilhantemente), sua premissa singular transformou-se num filme provocador, fascinante e estimulante, reconhecido por muitos críticos de cinema como uma das melhores ficções científicas da década para o cinema.

O longa foi filmado com duas câmeras Panasonic DVX 1000, o que explica o visual granulado das imagens. Sua distribuição, até certo ponto de modo involuntário, se deu basicamente na internet, num dos melhores exemplos do que as vias paralelas de informação podem fazer uma produção. O sucesso foi tanto que os produtores do filme publicaram diversos agradecimentos aos usuários do BitTorrent e outros sites de compartilhamento por terem distribuído o filme sem permissão, dizendo que isso aumentou em muito as expectativas de lucro da equipe (que, segundo entrevista recente do diretor, mesmo assim ainda não pagou todas as contas, levantando a outra face da distribuição de “arquivos – filmes” pela rede). Graças a isso,  The Man From Earth sai agora do universo virtual das telas dos computadores e chega às terras do Rio de Janeiro, numa chance rara de ver esta ótima dobradinha de Bixby + Schenkman.
Andréa Azambuja


Sobre o diretor

Nascido em 1958 em Nova York, Richard Schenkman é um experiente escritor, produtor e diretor que começou sua carreira criando premiadas propagandas e programas para a MTV. Após cinco anos na rede, ele abriu sua própria produtora, RSVP, produzindo e dirigindo videoclipes musicais, vídeos de moda e comerciais para diversas marcas famosas, como Swatch, MTV, Honda Scooters e Pepsi Cola, além do canal Nickelodeon. Durante esse período, ele também trabalhou na revista Fast Copy, produziu e dirigiu o show ao vivo SPIN New Music Concert e trabalhou em algumas séries e programas especiais, entre eles Fashion America, Showtime’s Funniest Person in America, The MTV Music Awards e The Rolling Stone Reader’s Poll Awards.

Schenkman realizou o curta-metragem Overnight Success, que foi lançado no prestigiado American Film Institute LA Film Festival e recebeu diversos prêmios. Nos três anos seguintes, ele trabalhou para a televisão em Los Angeles, criando mais de trinta horas de programação original para cabo e home-vídeo, incluindo The Club, uma série de comédia que ele ajudou a escrever, produzir e dirigir. Também criou muitos outros programas de drama e comédia, diversos documentários e programas piloto e ainda Late Night, uma série internacional escolhida como número 1 na Itália e na Alemanha.

The Pompatus foi o primeiro filme do diretor, escrito com Jon Cryer e Adam Oliensis. O lançamento oficial se deu no Hampston Film Festival e entrou em cartaz nos cinemas logo depois. Desde então, ele dirigiu Went to Coney Island on a Mission from God… Be Back by Five, muito premiado nos circuitos de festivais; trabalhou no sitcom Us and Them, para a 20th Century Fox Television; e escreveu o piloto de uma série animada sobre Elvis Presley para o mesmo canal, além de dirigir episódios de Dick Wolf’s Arrest and Trial. Fora isso, dirigiu o filme A Diva’s Christmas Carol, lecionou no Rhode Island Int’l Film Festival, criou a sitcom Drama Queen e completou diversos roteiros com Jonh Cryer (como de Cosmodrome e a comédia Lost Boys), entre outros projetos. Também estão no seu currículo os filmes And Then Came Love, estrelado por Vanessa Williams, e The Man From Earth, ambos lançados em 2007.

Sobre Jerome Bixby

Drexel Jerome Lewis Bixby (Janeiro 1923, LA, California – Abril 1998, San Bernardino, California) trabalhou como escritor, editor e roteirista, sendo reconhecido por seus trabalhos de ficção científica. Ele também trabalhou em diversos westerns e escreveu sob os pseudônimos D. B. Lewis, Harry Neal, Albert Russell, J. Russell, M. St. Vivant, Thornecliff Herrick e Alger Rome. Um de seus mais conhecidos trabalhos é It’s a Good Life, de 1953, famoso episódio da série The Twilight Zone, votado como favorito pelos fãs e considerado um dos 26 mais importantes e influentes trabalhos da área pela Associação de Escritores de ficção científica da América. O episódio foi escolhido como um dos cinco que compõem o filme da série, lançado em 1983. Igualmente notáveis são os capítulos que escreveu para a série Star Trek: Mirror, Mirror (escolhido em votação como o favorito pelos fãs), Day of the Dove, Requiem for Methuselah, e By Any Other Name. Em colaboração com Otto Klement, Bixby co-escreveu o clássico filme de ficção científica Fantastic Voyage (1966), e ao lado de nomes como Philip K. Dick, Isaac Asimov, Ray Bradbury e Robert A. Heinlen., ele figura como um dos mais influentes autores do gênero.

THE MAN FROM EARTH

Prêmios

Elenco
David Lee Smith – John Oldman
Tony Todd – Dan
John Billingsley – Harry
Ellen Crawford – Edith
Annika Peterson – Sandy
William Katt -Art
Alexis Thorpe – Linda Murphy
Richard Riehle – Dr. Will Gruber

Direção – Richard Schenkman
Roteiro – Jerome Bixby
Produção – Eric D. Wilkinson, Emerson Bixby, Mark Pellington e Richard Schenkman